Tempus Fugit: Vida, morte e memória na igreja de São Julião

Tempus Fugit: Vida, morte e memória na igreja de São Julião

Exposição temporária que ocorreu entre 10 de novembro de 2017 e 31 de março de 2018.

 

O Museu do Dinheiro apresentou a sua terceira exposição temporária dedicada ao tema da arqueologia. Depois das estacas pombalinas e das ânforas, com esta mostra deu a conhecer algum do espólio descoberto nas escavações relacionado com a vertente funerária.

 

O Tempo que todos tem é o Tempo que a todos foge

Enraizada numa sociedade profundamente religiosa, a deposição de mortos em igrejas, apud ecclesiam, foi uma prática comum desde a Idade Média até meados do século XIX. Por todo o país o enterramento no solo da igreja, ou nas suas imediações, era considerado o desfecho natural para o ciclo de vida dos fiéis, na crença de que a salvação das almas seria propiciada pela proximidade ao solo sagrado.

Todavia, com o advento modernizador do Liberalismo, esta prática ancestral seria definitivamente proibida. O decreto-lei de 1844, que proíbe os enterramentos nas igrejas vem iniciar um período de convulsão interna, conhecida como Revolução da Maria da Fonte. Desde essa data os cemitérios públicos ao ar livre passaram a ser o local de destino dos restos mortais das populações. 

A evolução da Igreja de São Julião enquadra-se nesta linha. Edificada no início do século XIX, atravessou tempos conturbados e crises cíclicas e, durante as primeiras décadas, foi palco de centenas de inumações. A maior parcela foi descoberta na nave central, criando um mosaico intrincado, onde um número total ainda incerto de enterramentos abarca homens e mulheres, adultos e crianças, leigos e religiosos, indivíduos e ossários, sepulturas canónicas e casos bizarros.

Parte desta população foi revelada pelas escavações arqueológicas de 2010-2011. As suas mais de trezentas ocorrências funerárias são o ponto de partida para a exposição, uma aproximação ao universo demográfico, cultural e antropológico da paróquia de São Julião na primeira metade do século XIX.

 

A história deste lugar, a antiga Igreja de S. Julião, é evocada pelos testemunhos dos seus antecessores próximos, a população da primeira metade do século XIX, sepultada na necrópole que hoje dá lugar ao museu. Procuramos saber quem são estes indivíduos? Como viveram? Como morreram? O que levaram na sua última viagem? 

A exposição acrescenta um capítulo ao já longo percurso do edifício: o da génese enquanto espaço sagrado. Nos três núcleos expositivos apresentam-se evidências antropológicas e arqueológicas resultantes das inumações da necrópole, individuais e coletivas, deposições materiais, documentação, fotografias e peças de distintos acervos que sustentam questões levantadas durante a investigação e indagações próprias de uma escavação com escala, no campo da arqueologia funerária, em Lisboa, no século XXI. 

Quisemos expor o contributo científico dos testemunhos da morte para o conhecimento sobre as condições de vida e, nessa perspetiva, mostrar as consequências do tempo e das transformações gravadas na matéria física, ou no que dela resiste. 

Uma exposição que se repartiu em três áreas distintas:

Necrópole – reprodução, à escala real, da planta dos enterramentos, evidenciando a dimensão e extrema complexidade da necrópole e a linha comum dos enterros, que foram feitos em fossa simples, sem arquitetura ou monumentalidade, e com a maximização possível do solo da igreja; no antigo altar poderá ser visto o livro de óbitos paroquial;

Crença e memória – exposição dos objetos pessoais e intimistas (terços, cruzes, medalhas, botões…) depositados com os enterramentos e recuperados na escavação arqueológica que espelham as crenças, hábitos e ideais com que o defunto desejava ser acompanhado no Além e vincam o caráter simples e a forte religiosidade do espólio funerário desta freguesia;

Anatomia e patologia – dedicada às questões científicas, esta sala exibe fotografias dos trabalhos de escavação, bem como imagens relacionadas com as operações de laboratório que os completaram – por exemplo, radiografias que testemunham diversas patologias identificadas nesta população – e ainda, em complemento, alguns dos instrumentos médicos da época, os quais permitem estabelecer uma ponte entre a ciência atual e a de então, enfatizando questões de saúde pública.

 

Ficha técnica

Curador
Arqueólogo Artur Rocha

Curadoria e museografia, coordenação de projeto e programação cultural e educativa
Museu do Dinheiro - Departamento de Serviços de Apoio/Banco de Portugal 

Design gráfico e de exposição, apoio técnico
Departamento de Serviços de Apoio/Banco de Portugal 

Fotografia
Artur Rocha| Arqueohoje

Audiovisuais, Iluminação
Departamento de Serviços de Apoio/Banco de Portugal 

Conservação e restauro
Arqueohoje
DGLAB/ANTT

Estruturas e montagem
SIGN
J.C.Sampaio
Acrial
INKlimit
Uh! Frases Ilustradas

Tradução
John Huffstot

Segurança
Departamento de Serviços de Apoio/Banco de Portugal 

Informações

Exposição temporária que ocorreu entre 10 de novembro de 2017 e 31 de março de 2018.

Durante o decorrer da exposição ocorreram diversas atividades associadas à exposição, nomedamente visitas orientadas pelo Arqueólogo Artur Rocha, conversas sobre arqueologia, um seminário, oficinas pais e filhos.

Mais informações para info@museudodinheiro.pt ou +351 213 213 240

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