Até 01-03-2020

Pardal Monteiro (1897-1957) - Arquitetura, pura e simplesmente

entrada livre

"Isto de ser moderno é como ser elegante: não é uma maneira de vestir, mas uma maneira de ser."

José de Almada Negreiros

A geração dos arquitetos que assinam as obras do primeiro modernismo português marcou profundamente a cultura arquitetónica da cidade de Lisboa e a cultura do país em geral. Da célebre “geração de 90” (1890), destacamos nesta exposição o arquiteto Porfírio Pardal Monteiro e a sua proposta de 1936 para a nova sede do Banco de Portugal, que não chegou a ser realizada.
Permaneceu desse projeto uma maquete, restaurada e apresentada agora na antiga igreja de S. Julião, edifício que não existiria se o edifício de Pardal Monteiro tivesse sido construído. Este objeto que sobreviveu durante décadas, revela a proposta do arquitecto para a nova sede do Banco que malgré tous não foi construída, mas justifica um olhar sobre o arquiteto e a sua reflexão sobre a zona historicamente nobre que é a Baixa Pombalina: todos os paradoxos e acasos, o que se preservou e o que se destruiu, e que nos permite ter hoje esta Cidade de Lisboa.
Os arquitetos que, por uma determinação municipal dos anos 40, foram informados por decreto que as fachadas deveriam inspirar-se em modelos de arquitetura setecentista não conseguiram conjugar a austera decoração deco com a estética nacionalista do regime, justamente nas fachadas, porque os novos materiais e a racionalidade que foi irreversivelmente introduzida nos processos de construção foram modernos, mais português suave, menos português suave
Na verdade, o confronto de Pardal Monteiro com os precursores do urbanismo e da arquitectura moderna esteve sempre aqui, em S. Julião, em plena Baixa Pombalina. E até um dos mais respeitados arquitetos modernistas portugueses levou o seu tempo a entender a concepção nova, lógica e inteligente e, sem dúvida, revolucionária, do plano de reconstrução de Lisboa de Manuel da Maia e Eugénio dos Santos. Ser moderno em Portugal talvez tivesse sido sempre uma maneira de ser e, em boa medida, uma questão de pele.

Margarida Cunha Belém, 2019

 

Informações

Exposição temporária
Pardal Monteiro (1897-1957) - Arquitetura, pura e simplesmente
De 27 de novembro 2019 a 23 de fevereiro 2020 - Exposição prolongada até 1 de março

Visita pela curadora Margarida Cunha Belém, sábados, 7 de dezembro e 18 de janeiro, às 15h00 (60 min.)

Marcação prévia
Adultos e jovens (>14 anos)

Outras visitas orientadas por marcação

Mais informações para info@museudodinheiro.pt ou +351 213 213 240

 

Imagem: 
Perspectiva do Banco de Portugal desde a Praça do Município
Projeto de Pardal Monteiro (1936-1937)
Coleção Estúdio Mário Novais - Fundação Calouste Gulbenkian Biblioteca de Arte e Arquivo

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